“Querida terra da Guiana, de rios e planícies;
rica pelo raiar do sol e voluptuosa por suas chuvas,
preciosa e justa, entre montanhas e mares,
suas crianças saúdam-na, amada terra da liberdade.”
Outros, que nem belezas possuem, exaltam a glória pátria:
“Pátria, Pátria, Timor-Leste, nossa Nação.
Glória ao povo e aos heróis da nossa libertação.
Vencemos o colonialismo, gritamos:
abaixo o imperialismo.
Terra livre, povo livre,
não, não, não à exploitação!”
E todos, eu repito, todos os hinos exaltam a democracia latente de suas nações:
“Alto nós te exaltamos, abrigo da liberdade,
grande é o amor que temos por ti;
firmemente unidos, nós resistiremos para sempre,
cantando em tua homenagem, ó pátria-mãe!”
Este fragmento acima é, como imagino ser facilmente notável, pertencente ao hino nacional de Serra Leoa.
Outro dia, lendo uma coluna n’O Globo de não-me-lembro-quem, reparei que o botafoguense é assumidamente sofredor. Enquanto vascaínos, fluminenses, sofrem “sem querer”, o torcedor alvinegro assume seu estado de constante frustração publicamente. Mas não tira a camisa.
Claro. Os grandes times do Rio de Janeiro têm torcidas heterogêneas: os flamenguistas são o povão e os esquerdistas meia-boca que querem se identificar com ele. Os vascaínos são a classe-média e camadas inferiores que não admitem sua condição de desfavorecidos. Fluminenses e botafoguenses são aquelas pessoas que você nem espera que gostem de futebol; mas aqueles podem ser “normais”. Botafoguenses são estranhões restritos.
Pois bem; por isso o Botafogo é a Polônia do futebol. A Polônia, um país tão fodido e varado por inúmeros conflitos ao longo de sua história, anexado juntamente à Lituânia pelos germânicos, atacado por Napoleão, invadida por Hitler, pelos soviéticos, etc – tem o hino (A Mazurca Dabrowski) mais derrotista do planeta. Tanto que seus primeiros dois versos são “A Polônia ainda não pereceu/Enquanto vivermos”. Sacaram a sutileza? A Polônia já está perecendo, então. Há uma polifonia no texto. Alguém, anteriormente, afirmou que o Estado já se havia acabado. Daí a necessidade de justificar-se. Não fosse o bastante, o termo “ainda” já deixa claro que o país vai perecer, um dia...
Então: o Botafogo ainda não pereceu enquanto estivermos vivos. Sabemos que ele está perecendo, sim!; sabemos que perecerá, e sabemos que muitos crêem que a chama já se apagou. Mas, como brilhantemente postulou o policial André em “Tropa de Sofredores”: há quem creia que o time ainda pode entrar na Libertadores, e poxa, tem que acreditar mesmo.

Só não especificaram se a gás ou a lenha.
Marche, marche, Dabrowski...
6 comentários:
Acho Botafoguenses mais normaizinhos. Tricolores são estranhões.
sobre o texto:
'Os vasca�nos s�o a classe-m�dia e camadas inferiores que n�o admitem sua condi�o de desfavorecidos.'
esqueceu os portugueses! como exclu�-los?
sobre a foto:
que hist�ria?
muito bom!
....homens.
Muito estranho, Guri.
...homens.
não a toa os botafoguenses já vão aos estádios trajando luto, a espera deste momento fatídico.
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