sábado, 15 de setembro de 2007

Putarias e judiações no mundo pop!

Enquanto meu companheiro (vulgo "parça") Briot não inaugura seu espaço neste blog, vou lhes contar uma história que se passou nos idos de e-lá-vai-porrada, final da década de setenta, entre duas estrelas pop: Ian Curtis, vocalista do Joy Division, que é tão popular quanto estrela; e Stevie Wonder.

Ian Curtis Stevie Wonder

Tudo começou quando Stevie Wonder, sentindo-se solitário e cabisbaixo - quase sorumbático - decidiu ligar para Ian Curtis e dizer que o amava e que se importava com sua pessoa. O taciturno músico do Joy Division não levou na boa e a relação entre os dois artistas ficou estremecida.

É curioso notar que ambos usaram de tal acontecimento como inspiração para a composição de grandes sucessos. Stevie, alegre e romântico, demonstrou não estar ressentido:

"I just called to say I love you!
I just called to say how much I care!
I just called to say I love you,
and I mean it from the bottom of my heart.
"

Em um verso em particular, Stevie deixa sua máscara de eu-lírico de lado e chama Ian Curtis, seu interlocutor, pelo apelido carinhoso de Joy - óbvia referência à banda da qual ele faz parte.

"No Libra sun,
no Halloween,
no giving thanks to all the Christmas, Joy, you bring.
"

...Onde o termo entre vírgulas é claramente um vocativo.
Já Ian Curtis reagiu de maneira mais dramática, digna de sua preferência pela abordagem gótica e trevosa da realidade; característica do ultra-romantismo joydivisiano.

"Where figures from the past stand tall,
and mocking voices ring the halls.
Imperialistic house of prayer.
Conquistadors who took their share.
"

O inocente Stevie Wonder, cheio de amor e boas intenções, é visto nesta composição como uma figura egocêntrica. Sua voz, adorada por milhões de americanos, vencedora de Grammys, é considerada irritante e zombeteira.

"They keep calling me,
keep on calling me!
"

A ligação do amigo afrodescendente é hiperbolizada, elevada a mil; e Ian Curtis exterioriza toda a angústia que domina seu pequeno coração.
A seguir, duas interpretações decorrentes do fato. Como pode ser notado, uma "responde" a outra:





Se ainda havia dúvidas sobre o sofrimento de Ian, essas foram apagadas pela dancinha tenebrosa efetuada no meio da apresentação: tal dança simboliza toda a opressão e rebeldia por anos guardada no corpúsculo do compositor de Manchester.
Mas por que tantos avarios emocionais decorrentes de uma única ligação? Qual é o motivo desse exagero sentimental? Dessa derrocada expressionista de um homem aparentemente normal?

Simples: porque Ian Curtis é uma bichinha assustada.
Comparem:

Ian Curtis Blair
"I'm so afraid!..."

Nada mais a declarar.

Um comentário:

Márcio disse...

Steve Wonder nunca nem viu Ian Curtis, cara...